quarta-feira, junho 03, 2009
Escrito por Green Tea em quarta-feira, junho 03, 2009

(Eu cá não tenho o dom da escrita acutilante)

Nem incisiva e certeira. Ele tem, e sobretudo escreve com a despreocupação desprendida de que se está nas tintas para o que os outros dizem quando falam para o ar, desafia-o um bom argumento, aguça-lhe o espírito e a escrita uma qualquer causa que lhe faça sentido. Como esta:


De trato não fácil, mas de pensamento claro, aconselho uma ou mais olhadela e este post e a este outro

.

Não há muito a acrescentar, quanto muito, há muito a fazer. Dois dedos de testa fazem falta a muita gente que não se aperceberá da dimensão da falta de escolha ...

Etiquetas: ,

 
sábado, maio 03, 2008
Escrito por Green Tea em sábado, maio 03, 2008

 
terça-feira, abril 08, 2008
Escrito por Green Tea em terça-feira, abril 08, 2008

Agora já tudo parece ter amainado relativamente ao caso no Carolina Michaëlis (a propósito, alguém sabe quem foi?). Para mim a questão não é tão pertinente por se dever a um jogo estúpido e desnecessário de poder, mas sim pelas implicações práticas que tem naqueles que serão o futuro deste país.
Estar a dar aulas ao primeiro ano da faculdade é extraordinário. Faz-me recordar o gosto que tenho pela transmissão de saber e de espírito crítico, de uma forma o menos maçuda e aborrecida possível, mas sempre nos limites do que é e do que não é. Por mais que gostemos de divagar, as bases do conhecimento não são nem podem ser alteradas. Ocorre que o primeiro ano da faculdade é, em certa medida, especial. São sobretudo gaiatos e gaiatas que acham que vão mudar o mundo sem ter de saber nada. Acabadinhos de sair do secundário, estão habituados a um modelo de interacção com os professores que, em boa verdade, me arrepia.

Na semana passada o grupo que teria de apresentar a aula resolveu, após umas boas semanas de aviso, chegar em cima da hora. O que é, claramente, inexperiência face "aquelas coisas que mesmo que sejam improváveis, vão acontecer apenas para demonstrar a lei de Murphy". Depois de umas tantas complicações, peripécias e amuos, lá lhes expliquei que não havendo projector, e tendo em conta que a turma é pequena o suficiente, mas sobretudo que não pretendo avaliar powerpoints (mas sim o conteúdo e a forma pessoal de como apresentam), o melhor mesmo seria apresentarem com o portátil virado para a turma. E lá nos sentámos em meia lua a ouvir e a ver... Um chorrilho de disparates que nem quem estava a apresentar estava muito certo do que queriam dizer. Mas mesmo não sabendo, decidiu pôr na apresentação. E quando questionados sobre o que queria dizer uma frase que tinham acabado de ler (sim!, ler, que esta gente ainda vai de folhas quadriculadas para a apresentação!), a resposta que obtive foi "A stôra está a envergonhar-nos". Bom, apeteceu-me responder que não, que para isso eles já estavam a fazer um excelente trabalho. Mas optei por explicar, pela enésima vez, que preferia um trabalho pensado a uma colagem de artigos...
De seguida fui ver a apresentação da outra turma prática, leccionada pela minha colega e regente da cadeira. Ora o grupo, sem projector, recusou-se a apresentar trabalho. Pior que isso, ainda refilou e amuou quando achámos que não era desculpa (blá, blá, esta dependência da tecnologia ainda atrofia as mentes destes pseudo-alunos). Mas não foi isso que me chocou. Efectivamente, nesta turma, ninguém se calou durante uma boa meia-hora. As raparigas que estavam sentadas atrás de mim, e que desconheciam quem eu era, falaram meia-hora sobre um vestido cor-de-rosa às riscas, eu ouvi!!!
Foi quando me passei. Ora estes monstrinhos não percebem que não são obrigados a estar nas aulas, e que estão lá porque decidiram que queria seguir este curso? E que para isso, têm de trabalhar? Em vez de colocarem já os cenários de quando estiverem a trabalhar com os pacientes? Mas terão a mínima noção do que os espera??? E quando vi um telemóvel sorrateiro, vociferei que aquilo não era o secundário onde se reproibiam os telemóveis. Ali, não havia telemóveis. Ponto final, não aberto a discussão.
Enfim, amanhã é dia de aulas outra vez. Saio da capital pelas 7h, saio de Évora às 12h45. E depois siga para o trabalho. Assim muito para o cansada. E a pensar que aqueles terroristas não sabem a sorte que têm.

Etiquetas: ,

 
domingo, fevereiro 17, 2008
Escrito por Green Tea em domingo, fevereiro 17, 2008

Estou de férias ... ou assim pensava. Até há umas horas atrás.
Provavelmente vou passar directamente a tese de mestrado para doutoramento, convites destes não se recusam. 
(Implicações? A semana de férias irá ser passada a tentar transformar uma ideia fraca numa tese forte. Um dia por semana terei fazer 262 km em ida e volta até à Universidade de Évora. Obrigatório tentar negociar o jogo de cintura para conciliar trabalho e estudo.)

Obviamente vou andar ainda mais cansada do que ando, sobretudo quando estiver a entrar no horário da manhã. Está portanto decretado o estado de alerta laranja neste blog.
É uma escolha consciente. Não me consigo imaginar a abdicar de nada neste momento. Nem do trabalho, nem das pessoas do trabalho, nem do que tenho crescido no trabalho. Mas também não consigo voltar costas ao meu projecto de desenvolvimento pessoal e académico. 

Novidades recebidas ao som de What You Are... Quem poderia pedir mais?


P.S. Daqui a uns dias já escrevo qualquer coisa minimamente interessante.

Etiquetas: , ,

 
sábado, novembro 03, 2007
Escrito por Green Tea em sábado, novembro 03, 2007

aqui tinha referido o meu descrédito relativamente às novas práticas parentais. Estas novas, ou não tão novas assim, de fazer crescer e amadurecer o suposto futuro do nosso país. Eu já devia ter aprendido ou pelo menos já devia ter tentado habituar-me à ideia de que os procedimentos de antigamente (sim, aqui o antigamente refere-se mesmo à minha geração) diferem e muito dos actuais. Mas há coisas que me tiram do sério...
Irrita-me que quando uma pessoa de idade resmunga por não conseguir passar depressa entre dois skates, os putos resmunguem ainda mais e chamem nomes à senhora. Irrita-me que alguém não tenha ensinado a estas crianças o valor do respeito. É possível que seja cultural, que nós, ocidentais quase americanizados, não entendamos os proveitos que vêm da idade. Ainda que a idade possa corresponder ao decréscimo da produtividade efectiva, corresponde também ao acréscimo da sabedoria e da experiência. Mas é impossível que tal culturalidade absurda sirva de desculpa ou justificação. Se os procedimentos, os rituais e as maneiras se alteram, os valores, esses não se podem alterar. Valores, sim. Sei que os meus pais tinham regras muito mais rígidas, e que as puderam flexibilizar por forma a que eu tivesse os mesmos valores abstractos, concretizados de formas diferentes. Não se namora à janela, mas não se põe os pais fora de casa para se poder namorar à vontade (sim, isto acontece!!!).
Mas ainda mais me irrita o seguimento daquilo que já tinha escrito aqui. Que os miúdos se tornem tiranos dos graúdos. Que, sem conhecimento ou compreensão de determinadas realidades da vida, exijam seja o que fôr "só porque sim, porque eu quero". Eu vi isto na semana passada ("ah, eu quero este [...] porque é o melhor e levas porque eu quero"), e juro que me iam saltando os olhos das órbitas, passando o devido exagero. Não pela arrogância do miúdo (a quem certamente devem ter faltado uns quantos olhares bruscos que o meu pai sabia tão bem fazer), mas pelo terror submisso da mãe.

Como vai ser quando estes terroristas forem pais? Não sei, e infelizmente deve ser na altura em que já sou eu quem tem dificuldade em passar entre skates.

(isto quase me faz ter pavor de pensar em ser mãe ... ou terror ou ter a noção de que os meus filhos vão ser quase ostracizados porque faço questão de não formar terroristas [e daí, duvido que alguém faça questão de os formar ... mas isso é outra história!])

Etiquetas: ,

 
quinta-feira, março 22, 2007
Escrito por Green Tea em quinta-feira, março 22, 2007

Tendo em conta a flexibilidade que neste momento me é exigida, o tempo para desenvolver espírito crítico e passá-lo a palavras não tem sido muito. Mas tem feito falta.

Basicamente, gostaria de despejar o saco... Estou a trabalhar com crianças entre os 6 e 8 anos e estou verdadeiramente arrepiada. Se bem que prefiro, de longe, trabalhar com adultos, esta é (ou seria) uma oportunidade de alargar horizontes, blá blá, novas aprendizagens, blá blá, etc. e tal. E trabalhar numa escola (em duas, em abono da verdade) até é ... engraçado.


Mas não quando se assiste à demissão dos pais do seu papel de educadores. A escola existe para formar crianças e jovens, não propriamente para inculcar valores de origem, como o respeito, a educação, etc.. De facto, a escola é um veículo de formação e inserção social, mas não deve, nem pode, sobrepor-se à autoridade parental. O problema é que essa não existe. Palpito eu que os pais, trabalhadores ocupados e eventualmente insatisfeitos, preferem estar com os putos sem se chatearem muito. Assim como assim, mais vale não ter chatices em casa, desgraçados dos putos, para aprender estão na escola e para brincar estão com os pais. Ou então nem para brincar, que muitas vezes os pais devem querer é descansar e deixam os miúdos a jogar PlayStation ou a ver televisão (a TVI, de preferência).

E quem se lixa é a escola. Os professores. Os colegas. Todos. Vá lá um professor tentar ensinar alguma coisa quando um puto de meio palmo o ameaça com uma cadeira. Ou quando lhe dizem na cara que não têm de ter respeito aos professores porque não são pais. Porque quando um professor tenta (coitados, os que ainda tentam), têm depois os paizinhos à perna, e tal, ainda é uma criança, e tal, os pais é que dão educação. Dão? Alguns...


Há uma coisa nova chamada Introdução à Cidadania. Experimentem ... e depois digam qualquer coisa.


SARA, se leres isso, vê lá o que fazes com a Verinha :) (desculpem o smile)


P.S. Até foi uma boa maneira de não me pronunciar sobre o sururu no PP... se bem que até podia ser relacionado.

Etiquetas: ,

 
segunda-feira, outubro 23, 2006
Escrito por Green Tea em segunda-feira, outubro 23, 2006

Talvez por ser demasiado informada, ou talvez por ser demaisado dada à especificidade humana ... talvez por isto, ou por quaisquer outras razões, não tendo a colocar os médicos como a classe exageradamente considerada que tem sido na nossa sociedade.
O seguinte episódio fez-me pensar nisto ...
Doem-me os dentes. Ando sem comer sólidos desde o início do fim de semana (hoje é segunda, meu Deus, que fome!). Siga a marcar consulta urgente no dentista. Como sou psicóloga há uns tempos cada vez mais largos, sei que a relação entre o médico e o doente não se cinge à mera simpatia. Aliás, enquanto doentes, temos direitos e deveres que muitas vezes ignoramos. Então vá de ser simpática e perguntar se o médico é compreensivo, calmo, essas coisas que nos inspiram confiança quando vamos ficar deitados de boca aberta enquanto nos metem utensílios de tortura na boca.
- Não!
Não?? Mas como não? Mas afinal? Sei que os médicos não têm a mesma concepção da relação que um psicólogo. Sei, e aceito, claro, óbvio e necessário. Mas o juramento de Hipócrates é bem claro. Não é a paciência do médico que vem em primeiro lugar. É o doente. Sempre.
Claro que posso ser eu a ter uma visão utópica de como devem ser praticados os Actos Médicos. Claro que posso. E tenho, para ser franca. Porque ser médico não é a mesma coisa que ser arquitecto, engenheiro ou canalizador.
Agora até podia dissertar que mais que uma média académica absurda e pouco indicadora do valor humano, era necessário mudar qualquer coisa que se veja nos cursos de Medicina. Poder podia ... mas vou esperar pela minha consulta de amanhã ...
EDIT: não tive consulta, mas decidi que hei-de escrever sobre o negócio dos seguros de saúde em Portugal. Ai se vou!

Etiquetas: ,

 
quinta-feira, outubro 19, 2006
Escrito por Green Tea em quinta-feira, outubro 19, 2006

Eis que não entendo...
Venho a Évora dar uma aula a miúdos do 4º ano da licenciatura. Dizem-me, contrariados, que estão em luto académico, segundo apurei, não estão reunidas as condições para "Bolonha".
Bolonha!?!?! Já não posso ouvir falar de Bolonha, de ir a reboque da Europa neste aspecto, em que tudo fica na mesma, só de cara lavada, mas na mesma. Porque os EUA têm cursos 3+2, a França também, e Portugal tem de apanhar o comboio! Para haver migração de alunos e docentes.
Uma ova. Com 3 anos quem é que sabe ser seja o que fôr? Sai-se das faculdades com 5 anos de licenciatura a saber fazer: zero. Sabe-se muita coisa, saber fazer é outra conversa... então com 3 anos, melhor ainda! Acabam com os bacharelatos para quê, mesmo? Mudar o nome, o cheiro é o mesmo.
E quem prossegue a carreira académica? Estuda 7 anos para ter o mesmo grau que alguém que estudou 5? E porque não, igualdade para todos. Oportunidades de (des)emprego para todos!!
E os meus alunos queixam-se ... apesar de estarmos em meados de Outubro e ainda haver praxe nestas bandas.

Vão dar uma curva com Bolonha. Só tenho pena de já estar na fase de não adiantar refilar, tenho é de pensar como lidar com isto.
Queixem-se sim ... acho muito bem! Não vão às aulas! E ao fim de 3 aninhos, a ver se tudo somado, chegam a ter um ano completo de aulas.
(Évora é linda)

Etiquetas: