domingo, abril 12, 2009
Escrito por Green Tea em domingo, abril 12, 2009

Novamente, um texto que até poderia ter publicado aqui...

Como afastar as pessoas da igreja: receita infalível

Celebra-se hoje a Páscoa. Para os fiéis cristãos, é o tempo mais importante de todos. Supera, de longe o Natal. Nascer, todos nascemos, quanto a ressuscitar, parece que o caso fia mais fininho (se bem que para ressuscitar seria preciso termos nascido, mas isto será tautológico e fora deste âmbito).

Crê a Igreja, una, santa, católica (e portanto universal) e apostólica (e portanto evangelizadora) que a Vigília Pascal é o expoente máximo da fé. Ocorre no sábado seguinte à sexta-feira Santa e anuncia, em primeiríssima mão, a ressurreição, constatada apenas na manhã seguinte pelas mulheres que se dirigem ao sepulcro. E que notícia, e que anúncio!! Para os fiéis, mais cegos ou mais pensantes, esta é, em verdade, a pedra central de toda a cristandade: Cristo vive, Cristo derrota a morte (diz-se até que foi por nós) e todos fazemos parte do Corpo de Cristo.

Muito bem. É a fé, e a fé pode debater-se, argumentar-se, pode julgar-se até, mas não se pode querer ter ou querer não ter: tem-se. Não é apenas racional, direi até que o essencial da fé é vivido e manifesto, não apenas teorizado. Ora bem, mas isto é muito, muito aborrecido. Então temos uma das maiores igrejas da cidade com pouquíssima gente às 22h, quando se inicia a Vigília! Mas porquê, penso eu, se hoje em dia até volta a estar na moda? Depois entendi, e passo a explicar a receita do paroco para o sucesso da missão cada vez mais notória da igreja: afastar as pessoas! Sei de um tal décimo sexto que iria aprovar:

Primeiro, inundem a assembleia com um incenso forte. Poderoso, daquele que se infiltra nos pulmões e que desencadeia uma onda de tosse atroz.

Segundo, ponham o coro a cantar tudo, tudo, em latim. Porque se ainda há quem saiba o que quer dizer kyrie eleison e ora pro nobis, o resto é chinês. Ou latim, neste caso.

Terceiro, dêem ao coro um microfone em 734ª mão, de modo a não se entender mesmo nada.

Quarto, as nove leituras devem ser lidas com um ar de frete. Os salmos gritados, vociferados e resmungados. O evangelho lido da forma mais desinteressante possível.

Quinto, não esquecer, de vez em quando, o próprio celebrante deve regressar ao latim.

Sexto, não avisar quantos são os catecúmenos nem quais os sacramentos que irão receber: assim podem surpreender a assembleia com uma quantidade considerável de padrinhos e flashes fotográficos.

Sétimo, as ladainhas também devem ser em latim, e sempre longas... nunca é demais.

Com isto entretêm o povo durante duas horas e ainda nem entraram na parte da eucaristia propriamente dita. Se tudo correr bem, já existem poucos sobreviventes...

Eu, vim embora. Ele vive, mas não ali, quase de certeza...

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segunda-feira, março 30, 2009
Escrito por Green Tea em segunda-feira, março 30, 2009

E quem fala assim não é gago e é bispo. Pena que provavelmente vá levar nas orelhas...

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terça-feira, março 10, 2009
Escrito por Green Tea em terça-feira, março 10, 2009

Escrevi noutro sítio, mas poderia tê-lo escrito aqui. Daí que faça sentido reproduzi-lo aqui:


Das intolerâncias religiosas

Há uns tempos andámos todos em pé de guerra porque o Cardeal Patriarca da capital se insurgiu, de forma "estranha", contra os casamentos entre cristãos e muçulmanos. Nota: entre as mulheres cristãs e os homens muçulmanos, tendo em conta o papel mais retraído que é atribuído pela sociedade e aceite pelas mulheres no Islão. Tenho cá para mim que foi um caso de má expressão e péssima interpretação, mas foi célere e extenso o escorrimento de tinta sobre a polémica. Ah, o desrespeito, ah, a mágoa, ah e mais ah!!! Não concordando com esta separação de águas radical e estereotipada, abstive-me de comentários.

Não me abstenho agora, com o caso da menina brasileira excomungada. É r-i-d-í-c-u-l-o, com todas as letras e ênfases que se conseguirem encontrar. É brutal e atroz, é pura e simplesmente deitar achas para a fogueira em que a Igreja Católica se tem vindo a auto-imolar...

Não obstante, eis que me deparo com isto, e vejo que não é um mal da Igreja Catolica: é um mal dos homens que pensam poder (e, preocupantemente, nalguns casos podem mesmo) pôr e dispor da vida, do corpo e da fé das pessoas como se fossem sua pertença. Deus é Amor, ou não é? Deus não é intolerância, não é estereótipo, não é excomunhão, não é chicotada. Se isto para mim é fácil de compreender, ainda que o seja enquanto mistério, como não o é para os iluminados que reclamam estar mais junto d'Ele?

(Reclamam, mas não estão. Oficialmente, um Papa está tão próximo de Deus como um qualquer bispo ou padre ou diácono ou leigo ... ah pois é! E se Deus é um, que para uns se chama Deus, para outros Alá, para outros Sol, ou qualquer outro nome, a mensagem central não será sempre a mesma?)

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sábado, março 22, 2008
Escrito por Green Tea em sábado, março 22, 2008

Assim é. Estamos na Semana Santa, o que para mim  é verdadeiramente importante. Em Portugal não temos o hábito de dizer "ah e tal, amanhã estou em meditação interior por motivos religiosos". O que é pena.

Na verdade, a Páscoa é, para o cristão, muito mais informativa e mais relevante do que o Natal, e acaba por passar muito mais despercebida. O Natal é a Esperança, e nascer, meus amigos, todos nascemos. A Páscoa é uma história diferente, ela confirma essa esperança natalícia, e é assim o momento que dá o significado final à fé cristã. Nascer todos nascemos, ressuscitar é que já me parece menos fácil e assume-se como questão de fé central.
 
Mas isto da Páscoa ser o fulcro da questão vem no seguimento de uma conversa extremamente ... parva ... que tive hoje. Basicamente sobre o jejum ditado pela Igreja na Sexta-Feira Santa. É verdade, conjuntamente com a Quarta-Feira de Cinzas, forma o par de dias de jejum aconselhado. O que é diferente da tradição de não comer carne nestes dias. Sinceramente, a Quarta-Feira de Cinzas é-me muito pouco apetecível o jejum, mas confesso que durante alguns anos jejuei na Sexta-Feira Santa. Não por obrigação, a fé não impõe semelhantes actos. Mas pelo significado. E é mesmo aqui que queria chegar. 

Porque não comer carne? Porque havemos de jejuar? Creio que não é esse o atentado ao significado pascal. Muito mais obsceno que umas boas costeletas de porco ou um cozido à portuguesa serão, certamente, os gestos e as omissões que cada um, enquanto cristão, toma. É tão fácil pôr um ar esfomeado e negar apoio, carinho e compreensão a quem dele necessita. E é tão mais difícil desapegarmo-nos do nosso próprio umbigo. E é aqui que reside efectivamente a grande diferença entre o cristão que apregoa num megafone quão perfeita é a sua conduta, e aquele que, melhor ou pior, em esforço constante e em erro constante, age a sua fé. Mesmo que coma carne na Sexta-Feira Santa. 

 
P.S. Para evitar quaisquer dúvidas, queria só salientar que não como carne. Não só agora. Não como carne há 11 anos. Só para informar...

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sábado, dezembro 22, 2007
Escrito por Green Tea em sábado, dezembro 22, 2007

Pois é ... a parte do pensante já me fazia falta.
Estava absorta numa de estupidificação/descanso maciço, quando um amigo me envia um link, a partir do qual dou com outro link.

Basta de suspense, estou a referir-me a
este e a este. São blogs pensantes (aplauso) de orientações religiosas diferentes da minha. Confesso que fiquei colada ao monitor do portátil durante um bom bocado. Estimulam o pensamento, o humor, aguçam a perspicácia e, sobretudo, espicaçam e alimentam a minha fé. A visitar.

E penso que, assim que tiver o tempo mais organizado, vou começar a comentar, vamos a ver no que isto dá.

Bela prenda de Natal, sim senhor! (será que os autores também recebem prendas de Natal?)

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