quarta-feira, fevereiro 04, 2009
Escrito por Green Tea em quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Oito. Oito minutos de Jornal das 13h. Até agora. E até agora só a falar de despedimentos. Ontem, na Antena Aberta, o tema foi o despedimento fraudulento.
Diz muita gente que há muitos que não querem trabalhar. Dizem outros que não andaram a queimar pestanas para fazer uma coisa abaixo das suas expectativas. Dizem outros que os emigrantes e os imigrantes estão a mais (sobre isto, os ingleses podem começar por devolver a Alvalade o Cristiano Ronaldo!). 



Mas tudo isto vem de trás. De muito antes. Vem a partir do momento em que uns tentam e tentarão sempre, obter mais lucro a partir dos que mais trabalham. Mexer com ordens mil milhões de euros como se de um ordenado se tratasse e pagar salários mínimos a quem dá couro e cabelo. Dizia o Saramago, no Todos os Nomes, como se organiza uma chefia (in)eficiente. E enquanto admitirmos passivamente que na base produtiva se encontram, de facto, os motores dos milhares e dos milhões, e que esta base pode ser sobrecarregada porque necessita, estamos mal. Não precisamos de doutores para isto e aquilo. Não precisamos de percursos traçados e moldados sem aberturas a novas experiências e expectativas. Precisamos de pessoas pensantes e que se adequem ao que é esperado em cada momento, desde que se renovem as posições, as expectativas e exista reciprocidade no trabalho. Apenas isto, reciprocidade. 

[Ainda assim, muitíssimo mais importante: parece que hoje se assinala um dia qualquer a ver com o cancro. Toca a contribuir. Nos últimos meses cada vez mais me parece uma causa mais do que merecedora. Nunca fiando. Mesmo!]

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terça-feira, dezembro 23, 2008
Escrito por Green Tea em terça-feira, dezembro 23, 2008

São quase 23h30. Se tudo corresse como o previsto, amanhã entraria às 8h no trabalho, o que implicaria que a esta hora estaria, possivelmente em vão, a tentar dormir. Não obstante, e numa semana em que muitos se queixaram de como 35 euros por hora pode ser insuficiente para manter médicos em hospitais, é ao meu médico de família e aos meus 38,7º que devo o prazer de passar a véspera de Natal em casa. 
Temos vindo a habituar-nos a ver nos médicos, magistrados, e outros que tais, grupos prestigiados e influentes no país. Certo. Com eventuais privilégios excessivos. Certo. Com (algum) mérito (alguns). Certo.
Nada como uma ida ao Centro de Saúde para tirar isto a limpo. Consulta de Urgência, já se vê. E o sorriso afável do meu médico, para quem as consultas não se resumem a passar atestados e receitas. Ele é explicar o porquê daquele medicamente e não de outro, ele é saber que mais perguntas tenho, ele é mostrar-me o sistema informático (que teima em ir abaixo nas minhas consultas), ele é contar-me piadas enquanto me observa, ele é encaminhar-me quando extravasa das suas competências, ele é comentar o último concerto do Palma, ele é perguntar em que pé vai (ia) o meu mestrado, etc. e tal. 
Isto, é um médico de família. Ah, e também passa atestados e receitas.

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sábado, novembro 24, 2007
Escrito por Green Tea em sábado, novembro 24, 2007

Andei aqui uns tempos a pensar em escrever qualquer coisa sobre alguma disparidade relativa às criticas sobre o concerto de Jorge Palma no Coliseu dos Recreios. O concerto do primeiro dia, note-se. Eu fui, e de facto, lendo algumas críticas, dá para entender que existe controvérsia, mas não polémica, quando se fala do "Mestre". E pus-me a pensar nestas duas palavras, polémica e controvérsia. O estado, ébrio ou sóbrio, de Jorge Palma nos concertos, pode ser controverso, mas não polémico. Não fere a sensibilidade de ninguém.
Ora o que se segue trata de um assunto não só controverso, como polémico. Transcrevo-o. Já aqui me assumi muita coisa: sportinguista, católica, e agora, psicóloga. Não exercendo, mas psicóloga, a prosseguir arduamente a vida académica. E pensante. Ora vamos lá então:

Estimados colegas,
Venho, por este meio, solicitar a maior atenção face ao exposto e que corroborem a seguinte tomada de posição (aguardam-se as posições da Associação Pró-ordem dos Psicológos, Sindicato Nacional dos Psicólogos e Associação Portuguesa de Psicologia) [...]

TOMADA DE POSIÇÃO DOS PSICÓLOGOS FACE ÀS AFIRMAÇÕES PUBLICADAS NA REVISTA VISÃO Nº 767 (8 de Novembro) PELA PSICÓLOGA MARGARIDA CORDO: «A HOMOSSEXUALIDADE É UM TRANSTORNO DA IDENTIDADE SEXUAL, UMA DOENÇA E TEM RECUPERAÇÃO».

1. Os psicólogos consideram que a homossexualidade e a bissexualidade não são indicadores de doença mental;
2. Os psicólogos devem reconhecer se as suas atitudes pessoais negativas acerca de questões sobre a orientação sexual influenciam ou não a sua avaliação e intervenção psicológicas e procurar supervisão ou encaminhamento sempre que necessário;
3. Os psicólogos devem estar muito atentos ao modo como a estigmatização social (por exemplo: o preconceito, a discriminação, a violência) coloca em risco a saúde mental e o bem-estar das pessoas não-heterossexuais;
4. Os psicólogos têm o dever de reconhecer que as suas visões pessoais pejorativas acerca da homossexualidade ou da bissexualidade podem prejudicar o apoio e o processo terapêutico;
5. Os psicólogos respeitam os estilos de vida e reconhecem as circunstâncias desafiadoras que as pessoas não-heterossexuais vivem no seu dia-a-dia tendo em conta as normas, valores e crenças vigentes na nossa cultura actual;
6. É um dever dos psicólogos buscarem formação e compreensão aprofundada sobre a temática da orientação sexual à luz das teorias e dos resultados das pesquisas mais recentes consensualmente aceites pela comunidade científica psicológica de mérito reconhecido no mundo ocidental;
7. As consequências de uma prática psicológica baseada na ignorância e no preconceito relativamente à orientação sexual colocam as pessoas não-heterossexuais em risco, tendo em conta as pressões de conformidade à norma;
8. O facto de alguns profissionais de saúde mental considerarem que a homossexualidade é uma doença mental, pelo que advogam terapias de reconversão é repudiada, tendo em conta os estudos que demonstram que as consequências destas práticas acarretam dano grave para os indivíduos, na medida em que acentuam os índices de depressão, ansiedade, e intenção e ideação suicida (Sandfort, 2003).
9. Os psicólogos subscrevem as resoluções da Associação Americana de Psicologia que determinam o seguinte:
a. A homossexualidade não é uma doença mental (American Psychiatric Association, 1973);
b. Os psicólogos não participam em práticas injustas e discriminatórias contra as pessoas não-heterossexuais com conhecimento de causa (American Psychological Association, 1992);
c. Nas suas actividades, os psicólogos não enveredam por atitudes discriminatórias baseadas na orientação sexual (American Psychological Association, 1992; Consituição da República Portuguesa, Artigo 13º);
d. Nas suas actividades, os psicólogos respeitam o direito a valores, atitudes e opiniões que diferem das suas;
e.Os psicólogos respeitam os direitos que os indivíduos têm em relação à sua privacidade, confidencialidade, auto-determinação e autonomia (American Psychological Association, 1992);
f. Os psicólogos estão conscientes das diferenças culturais, individuais e de papéis, incluindo aquelas relativas à orientação sexual e tentarão eliminar o efeito de eventuais enviesamentos no seu trabalho baseado em tais factores (American Psychological Association, 1992);
g. Quando as diferenças acerca da orientação sexual afectam o trabalho do psicólogo, deverão obter a formação, experiência, consulta ou supervisão necessárias para assegurar a competência dos seus serviços ou fazer encaminhamentos apropriados (American Psychological Association, 1992);
h. Os psicólogos não fazem afirmações falsas ou enganosas acerca da base clínica ou científica dos seus serviços (American Psychological Association, 1992);
i. Os psicólogos são responsáveis pela eliminação do estigma associado à doença mental quando se refere à homossexualidade (Conger, 1975, p. 633);
j. Os psicólogos opõem-se à consideração das pessoas não-heterossexuais como doentes mentais e apoiam a disseminação de informação correcta acerca da orientação sexual e práticas psicológicas apropriadas, de forma a eliminar intervenções incorrectas, baseadas na ignorância ou crenças infundadas acerca da orientação sexual.

Referências:
American Psychiatric Association. (1973). Position Statement on Homosexuality and Civil Rights. American Journal of Psychiatry, 131 (4), 497.
American Psychological Association. (1992). Ethical Principles of Psychologists and Code of Conduct. American Psychologist, 47, 1597-1611.
Conger, J.J. (1975). Proceedings of the American Psychological Association, Incorporated, for the year 1974: Minutes of the Annual Meeting of the Council of Representatives. American Psychologist, 30, 620-651.
Sandfort, T. G. M. (2003). Studying sexual orientation change: a methodological review of the Spitzer study, "Can some gay men and lesbians change their sexual orientation?". Journal of Gay and Lesbian Psychotherapy, 7(3), 15-29.

ASSIM, OS PSICÓLOGOS REPUDIAM A AFIRMAÇÃO DA COLEGA MARGARIDA CORDO, INCENTIVANDO A QUE MESMA ADOPTE AS RECOMENDAÇÕES E RESOLUÇÕES CONSENSUALMENTE PRECONIZADAS PELAS ASSOCIAÇÕES PROFISSIONAIS DA PSICOLOGIA E PELOS COLEGAS PSICÓLOGOS QUE CORROBORAM ESTE DOCUMENTO:
[seguem-se as assinaturas típicas num e-mail do género, e saliento que apenas não assinei por considerar um erro de lógica, se A passou a B e C, e se B e C assinarem e passarem a D, E, e F e G, então começamos a ter listas triplicadas e quadruplicadas]

Lendo isto, surgem-me várias questões. Primeiro, porque temos sempre de nos reger pelos códigos de conduta da American Psychological Association [APA]? Temos códigos de ética em Portugal que regem a conduta do psicólogo (desde o Sindicato, à Associação dos Psicólogos Portugueses, desembocando na Associação Pró-Ordem dos Psicólogos). Somos uma classe demasiado frágil para sermos ouvidos em casos que não metam menores em risco, é a conclusão a que chego.
Segundo, o psicólogo é uma pessoa (graças a Deus!) e erra, obviamente. Mas no exercício das suas funções, e sobretudo quando se trata de atestar uma dada opinião, há que a basear em dados científicos, sob pena de continuarmos a ser vistos como "os que tratam dos maluquinhos no divã" (confesso que nunca tive um divã no consultório e que Freud nunca me entusiasmou particularmente). Se não sabemos dados científicos suficientes, fechamos a matraca, ponto final! E era o que esta colega deveria ter feito. Estou farta de ver a profissão enxovalhada por gente de fora (psiquiatras, pessoal de psicopedagogia curativa, etc.) enquanto há quem a leve a sério, procurando realmente encontrar, de forma científica, mas humana, formas terapêuticas, abstractas ou concretas, de fazer da arte da relação humana uma terapia eficaz e efectiva.
Caramba (ou pior!), esta mulher devia ter qualquer penalização. Como psicóloga, deveria saber que a homossexualidade não é uma parafilia (ou seja, não é uma perturbação no objecto do desejo sexual), e essas sim, são patologias ou perturbações, sobretudo se agidas (a tal diferença entre pedófilo, que por si só é insuficiente para que haja abusadores de crianças). Há varios tipo de parafilias, há quem se excite com pés, com pedaços de roupa, com crianças, enfim, mas ser homossexual ou bissexual é, efectivamente, desejar sexualmente alguem do sexo oposto. Não pelas mãos que tem, pelos pés que tem, pelas roupas ou cabelos, mas pela componente sexual que tem. Não é normal? Não, normal é a média estatística, e aí podemos dizer que não é normal. Mas eu assim sendo também tenho um cabelo anormal, uma estatura anormal, e assim por diante.

Talvez me tenha revoltado tanto isto porque o meu primeiro caso clínico foi precisamente um rapaz homossexual. Um espanto de rapaz, um amor de rapaz, com montes de problemas. Sérios. Nenhum deles era a homossexualidade. Podia ser, mas não era. Podia ser, tendo em conta que por vezes podem surgir questões relativas a dificuldades no estabelecimento de uma identidade. Porque não é fácil ser "anormal" e "contra-natura" (no limite, nós seres humanos somos tudo, menos pró-natura, mas enfim, este parêntesis fica para depois).
E talvez me tenha revoltado mais porque a psicologia é ainda vista como parente pobre da psiquiatria.
Mas de certeza que me revoltou em tal escala porque ninguém dá um estalo a esta mulher (figurado ou não), a obrigou a retractar-se, nada. Manifestar repúdio é claramente insuficiente. Há aqui toda uma massa social que não tem entendimento científico para exercer juízo crítico, "esta doutora disse, deve ser verdade".
Cambada de imbecis!!!!
Ah, a propósito, o Palma esteve muito bem...

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segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Escrito por Green Tea em segunda-feira, fevereiro 12, 2007

E pronto ... lá foi.

Ganhou a abstenção, para variar um pedacinho. Tanta discussão aguerrida, toda a gente a falar em fetos e direitos da mulher, para depois irem à praia novamente. Ah não, que ontem choveu, esperem, qual terá sido a desculpa??? Ah, claro, pois, isso mesmo, era um tema demasiado ambivalente para as pessoas se pronunciarem. Mas o mais engraçado mesmo é que nada vai mudar! Teremos clínicas privadas, altamente eficazes e dispendiosas, e as mulheres, que justificaram o aborto com poucos recursos sociais (ai, outro puto, como vai ser?) recorrem ao sistema nacional de saúde, perfeitamente equipado para responder prontamente. Credo, arranjem uns óculos, que algo aqui não vai bem, enfim... Sempre acreditei que este referendo se iria repetir até ganhar o sim, mas pelos vistos não foi preciso. Viva a liberdade de expressão. Ah, não, viva a liberdade, que expressão dá muito trabalho.
Já agora:
Ainda que já entenda o novo blogger, não consigo aceder aos comentários lá deixados! É impossível comentar os blogs que estavam no antigo blogger! Meu Deus, que mal fiz eu para ser apanhada nesta teia da alta tecnologia??? Enfim, soluções aceitam-se, até porque o apoio do blogger deve estar muito ocupado para me responder ...

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segunda-feira, outubro 23, 2006
Escrito por Green Tea em segunda-feira, outubro 23, 2006

Talvez por ser demasiado informada, ou talvez por ser demaisado dada à especificidade humana ... talvez por isto, ou por quaisquer outras razões, não tendo a colocar os médicos como a classe exageradamente considerada que tem sido na nossa sociedade.
O seguinte episódio fez-me pensar nisto ...
Doem-me os dentes. Ando sem comer sólidos desde o início do fim de semana (hoje é segunda, meu Deus, que fome!). Siga a marcar consulta urgente no dentista. Como sou psicóloga há uns tempos cada vez mais largos, sei que a relação entre o médico e o doente não se cinge à mera simpatia. Aliás, enquanto doentes, temos direitos e deveres que muitas vezes ignoramos. Então vá de ser simpática e perguntar se o médico é compreensivo, calmo, essas coisas que nos inspiram confiança quando vamos ficar deitados de boca aberta enquanto nos metem utensílios de tortura na boca.
- Não!
Não?? Mas como não? Mas afinal? Sei que os médicos não têm a mesma concepção da relação que um psicólogo. Sei, e aceito, claro, óbvio e necessário. Mas o juramento de Hipócrates é bem claro. Não é a paciência do médico que vem em primeiro lugar. É o doente. Sempre.
Claro que posso ser eu a ter uma visão utópica de como devem ser praticados os Actos Médicos. Claro que posso. E tenho, para ser franca. Porque ser médico não é a mesma coisa que ser arquitecto, engenheiro ou canalizador.
Agora até podia dissertar que mais que uma média académica absurda e pouco indicadora do valor humano, era necessário mudar qualquer coisa que se veja nos cursos de Medicina. Poder podia ... mas vou esperar pela minha consulta de amanhã ...
EDIT: não tive consulta, mas decidi que hei-de escrever sobre o negócio dos seguros de saúde em Portugal. Ai se vou!

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