segunda-feira, dezembro 21, 2009
Escrito por Green Tea em segunda-feira, dezembro 21, 2009

Sim, aceito.

Ouvi ontem na televisão sobre uma petição para um referendo a efectuar durante o Benfica - Porto relativamente ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Que a discussão ainda não tinha sido feita, que era um assunto demasiado importante.
Concordo inteiramente. É um assunto demasiado importante para quem se vê afectado por uma lei retrógrada e vê a sua orientação ser escrutinada por uma maioria discriminatória.
A orientação sexual não é uma opção nem é uma doença. Enquanto esta simples frase não for apreendida na sua totalidade por uma quantidade de imbecis, por melhor que sejam as suas intenções, não seremos verdadeiramente uma sociedade democrática. Perante o Estado, sou uma pessoa. Sou mulher, ruiva, baixa, heterossexual. Nenhum destes elementos deve ser mais ou menos importante que os outros. Sou uma pessoa. Todos estes senhores e senhoras que querem casar, perante a lei não têm nem mais nem menos direitos. Pena é que demoremos tanto tempo a reconhecê-lo.
Não precisamos de nenhum referendo para conceder a cidadãos (e cidadãs) pleno direito à celebração de um contrato, que é exactamente o que é o casamento civil. Não houve discussão suficiente? Houve foi discussão a mais, a porem as igrejas ao barulho, a sociedade portuguesa que mal sabe pensar e ainda pensa que são coisas do demónio, cuja mesquinhez de nova-riquice e pseudo-ocidentalidade ainda lhes tolda a visão.
Não me refiro a casamentos religiosos, pois sobre esses haveria ainda muito a discutir. Agora quanto ao casamento civil, parece-me que o caso já devia estar encerrado. Ponto. Final.

Perguntam-me sobre a adopção de crianças. Penso que as crianças são terríveis, inconscientes da maldade que a sua reduzida disponibilidade para aceitar a diferença. "Olha o meu pai Um e o meu pai Dois" seria mais dificil de compreender enquanto as nossas crianças não estiverem sensibilizadas para a realidade que é a existência de orientações sexuais diferentes. Repito que a orientação sexual não é uma doença nem uma opção. Nem o DSM (a bíblia das psicopatologias que rege demasiada intervenção psicológica e psiquiátrica) aceita isso, já há muito tempo. Apenas é... diferente.
A esta questão da adopção, sobre a qual tenho mais receio da intolerância de qua a criança seria alvo do que propriamente dos potenciais educativos de dois pais e duas mães, apenas me pergunto uma outra: será estabilidade emocional e integração social uma família heterossexual em que as mulheres são continuadamente vítimas de violência física e/ ou psicológica? Quer-me parecer que a adopção por parte de casais do mesmo sexo está para os nossos dias como as famílias monoparentais (agora delicadamente designadas de biparentais) estão os tempos dos nossos pais e avós.
A ver vamos, como sempre.

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sábado, junho 20, 2009
Escrito por Green Tea em sábado, junho 20, 2009

Já tinha escrito aqui sobre isto. E hoje veio a propósito, enquanto subia com o namorado a rua dos Armazéns do Chiado, em corrente contrária à da marcha do orgulho gay.
Ora a minha costela canhota admite que um casamento civil é um contrato e que o sexo dos participantes é pura e simplesmente irrelevante para o bom ou mau cumprimento desse mesmo contrato (a minha costela católica abstém-se).
Não obstante, marcha do orgulho gay? Espera, orgulho? Eu não tenho orgulho em ser hetero. Nem orgulho nem poder de decisão, é assim que sou. Acredito que a homossexualidade, ao invés do que o DSM disse durante muitos e demasiados anos, não é uma doença, pelo que ninguém escolhe a sua orientação sexual. Daí que orgulho me pareça uma palavra totalmente descabida. Se me disserem que têm orgulho em ser capazes de o admitir perante uma sociedade preconceituosa, aí sim, aí concordo. Mas em ser gay? É quase (e este quase é imenso) a mesma coisa de ter orgulho em ser branco, preto ou amarelo às riscas.
É a isto que se expõem as minorias, quando tentam chamar a atenção, correm o risco de serem desacreditadas e descredibilizadas.

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segunda-feira, março 02, 2009
Escrito por Green Tea em segunda-feira, março 02, 2009

Já tenho... ou melhor, já lá estou! Até já tenho o TweetFox aqui no firefox, tudo muito catita, etc. e etc. e tal. Só gostaria que os links do TinyUrl abrissem. A sério. Só dão erro atrás de erro e, melhor ainda, já encontrei mais queixas espalhadas pelo universo virtual. Irra!!!

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terça-feira, fevereiro 17, 2009
Escrito por Green Tea em terça-feira, fevereiro 17, 2009

Primeiro sinal: o relógio que saltou do pulso esquerdo ontem quando cheguei a casa. Segundo sinal: desligar efusivamente todos os despertadores desta casa. Terceiro sinal: o sol que entra pelos olhos e pela pele dentro e já faz andar de manga curta. Quarto sinal: a mochila que em vez de ter uma farda esgarçada, começa a ansiar por roupinha jeitosa para um fim de semana livre. Quinto sinal: o fim de semana livre. Sexto sinal: a tradução do livro póstumo do E. Eriksson, há muito iniciada e nunca mais retomada, começa a ver finalmente a luz do dia.

Só para dizer que estou de férias. Procurem-me por aqui: 





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quarta-feira, fevereiro 04, 2009
Escrito por Green Tea em quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Oito. Oito minutos de Jornal das 13h. Até agora. E até agora só a falar de despedimentos. Ontem, na Antena Aberta, o tema foi o despedimento fraudulento.
Diz muita gente que há muitos que não querem trabalhar. Dizem outros que não andaram a queimar pestanas para fazer uma coisa abaixo das suas expectativas. Dizem outros que os emigrantes e os imigrantes estão a mais (sobre isto, os ingleses podem começar por devolver a Alvalade o Cristiano Ronaldo!). 



Mas tudo isto vem de trás. De muito antes. Vem a partir do momento em que uns tentam e tentarão sempre, obter mais lucro a partir dos que mais trabalham. Mexer com ordens mil milhões de euros como se de um ordenado se tratasse e pagar salários mínimos a quem dá couro e cabelo. Dizia o Saramago, no Todos os Nomes, como se organiza uma chefia (in)eficiente. E enquanto admitirmos passivamente que na base produtiva se encontram, de facto, os motores dos milhares e dos milhões, e que esta base pode ser sobrecarregada porque necessita, estamos mal. Não precisamos de doutores para isto e aquilo. Não precisamos de percursos traçados e moldados sem aberturas a novas experiências e expectativas. Precisamos de pessoas pensantes e que se adequem ao que é esperado em cada momento, desde que se renovem as posições, as expectativas e exista reciprocidade no trabalho. Apenas isto, reciprocidade. 

[Ainda assim, muitíssimo mais importante: parece que hoje se assinala um dia qualquer a ver com o cancro. Toca a contribuir. Nos últimos meses cada vez mais me parece uma causa mais do que merecedora. Nunca fiando. Mesmo!]

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sexta-feira, janeiro 16, 2009
Escrito por Green Tea em sexta-feira, janeiro 16, 2009

Fui ontem ver "The Curious Case of Benjamin Button". Para quem tem ido semanalmente ao cinema e quase nem se lembra do que viu (quase, só quase!), foi um soco no estômago, daqueles que dão muito que pensar. Então para quem não gosta particularmente do Brad Pitt e agora consegue afirmar que é um desempenho arrepiante e tocante, torna-se significativo e quase transformador. Resolvi então que numa altura em que muito se fala e critica, urge ser diferente. 

Diferente na política, onde se um governo faz algo, como não faz tudo o que se quer, parece que não faz nada. E está errado. Diferente na política da oposição, cada vez mais umbiguista do que construtiva. Mais oratória que prática. E está errado. Sempre achei que a política se devia centrar mais em ideias do que em lados, e cada vez mais a esquerda parece um náufrago cansado, e cada vez mais a direita parece preocupada embora eu não seja capaz de compreender com o quê. 

Diferente no agir do dia-a-dia, e não somente quando "deve ser". A propósito de uma situação que me relataram, tão banal como isto: ver um homem comer massa directamente do caixote do lixo, e a constatação que determinados bens, como a comida e um tecto, deveriam ser garantidos a todos. Olhar para o lado parece ser sempre mais fácil. Efectivamente não podemos mudar o mundo todo, mas se todos mudarmos um pedaço... é como em criança, para me ensinarem a não deitar papéis para o chão, explicaram-me que se um não faz mal, dez milhões de uns faz muito mal e muita porcaria. Ora a verdadeira questão reside no quão diferente estamos dispostos a ser...

Só para finalizar: ide ver o filme. Ide, ide, ide. Mesmo que seja para entreter.

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terça-feira, dezembro 23, 2008
Escrito por Green Tea em terça-feira, dezembro 23, 2008

São quase 23h30. Se tudo corresse como o previsto, amanhã entraria às 8h no trabalho, o que implicaria que a esta hora estaria, possivelmente em vão, a tentar dormir. Não obstante, e numa semana em que muitos se queixaram de como 35 euros por hora pode ser insuficiente para manter médicos em hospitais, é ao meu médico de família e aos meus 38,7º que devo o prazer de passar a véspera de Natal em casa. 
Temos vindo a habituar-nos a ver nos médicos, magistrados, e outros que tais, grupos prestigiados e influentes no país. Certo. Com eventuais privilégios excessivos. Certo. Com (algum) mérito (alguns). Certo.
Nada como uma ida ao Centro de Saúde para tirar isto a limpo. Consulta de Urgência, já se vê. E o sorriso afável do meu médico, para quem as consultas não se resumem a passar atestados e receitas. Ele é explicar o porquê daquele medicamente e não de outro, ele é saber que mais perguntas tenho, ele é mostrar-me o sistema informático (que teima em ir abaixo nas minhas consultas), ele é contar-me piadas enquanto me observa, ele é encaminhar-me quando extravasa das suas competências, ele é comentar o último concerto do Palma, ele é perguntar em que pé vai (ia) o meu mestrado, etc. e tal. 
Isto, é um médico de família. Ah, e também passa atestados e receitas.

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sexta-feira, setembro 26, 2008
Escrito por Green Tea em sexta-feira, setembro 26, 2008

Pensamento do dia, à espera de entrar no trabalho: qual é a ideia dos(as) novos(as) camaradas hippies a fazer lembrar a Janis Joplin que do meio do nada sacam de telemóveis que custam mais do que o meu ordenado???
(achei curiosa a imagem tão clara da nova juventude, tudo peace and love AND MONEY ... mas isso sou eu, claro)

Desgosto/ultraje do dia, assim que cheguei a casa.
Tenho a honra (às vezes, às vezes) de conhecer um dos elementos dos
Moan, uma das bandas concorrentes e bem posicionadas para ganhar o concurso Rock Rendez Worten, edição saudosista do Rock Rendez Vous, onde surgiram alguns nomes sonantes da música portuguesa (nomeadamente os meu mui amados Ornatos Violeta). Os Moan tinham concerto agendado, sob a égide deste concurso, para o MusicBox, no próximo dia 14 de Outubro. Tinham, porque ao chegar-lhes às mãos o contrato que teriam de celebrar, uma das cláusulas era claríssima: entre outras coisas, teriam de ceder os direitos de autor sobre as suas obras, em benefício da Worten, e por tempo indeterminado. Ora, para quem já ouviu coisas como "E é de braços descaídos que vejo o sol desaparecer", sabe o cru que isto é. Uma obra que lhes sai da carne, das entranhas!!! Resumindo, parece que os Moan não vão alinhar num evento que os poderia catapultar, merecidamente... a troco do que de mais precioso têm, enquanto banda. Estou triste, e não sou a única. Mas orgulhosa. Mas triste...




Desafio do dia
, lançado pelo
W. Cinco coisas que queira fazer antes de morrer...
1) Ir à Irlanda. Ver verde, vacas e beber cerveja. Ir a Belfast e ver a cela do Bobby Sands.
2) Abrir um sítio onde pudesse recolher cães e gatos abandonados, sem ter de preocupar com espaço ou pagar a veterinários e coisas assim.
3) Ver (pelo menos) um concerto de: Tool, Ornatos Violeta, A Perfect Circle, Muse, entre outros. Ou seja, não ficar com aquela sensação frustrantíssima de "gostava de ter visto isto ao vivo". Para mim, é um verdadeiro tormento.
4) Ir ao Cambodja, a um monumento cujo nome não me recordo, mas que desde que o vi no Canal História, nunca mais me esqueci. É um feito em tijolo, com budas do início ao fim, em que à medida que se sobre, os budas vão estando mais tapados. É brutal, a ideia de meditação e espiritualidade que aquilo transmite, mesmo via televisão.
5) De momento não me ocorre nada. Daqui a uns momentos é capaz de ocorrer ...

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quinta-feira, setembro 04, 2008
Escrito por Green Tea em quinta-feira, setembro 04, 2008

Bom, os dois primeiros dias de férias têm sido tudo menos de férias. É o que dá deixar acumular assuntos numa gaveta de "pendentes" e não os ir tratando. Tudo sobre rodas de momento, figurativamente escrevendo.

Em qualquer dos casos acabo de decidir que algo tem de mudar radicalmente. Acho que estamos todos um pouco saturados de dar dar dar e depois na altura da reciprocidade alguém, por estar muito cansado ou demasiado bem formatado, nos tirar o tapete do chão de forma insultuosa à nossa inteligência. Mais valia um manguito bem estendido. Tinha menos classe, mas era mais sincero e genuíno. Quase todas as relações são contratos e regem-se por parâmetros. Ignorá-los ou adulterá-los é francamente desgastante para quem se empenha a sério nas coisas. 
De qualquer modo, todas as decepções têm as suas consequências. O pré-aviso está dado.

E agora vou fazer a mala para o Avante!, que o resto das férias ninguém mas tira...

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quarta-feira, agosto 20, 2008
Escrito por Green Tea em quarta-feira, agosto 20, 2008

Seis da manhã, acordar cedo só faz sentido e só é menos penoso quando o faço ao som de notícias. E hoje foi a manchete sobre o facto de metade das ofertas de emprego não serem preenchidas.
Ah, pois bem. Somos "uma cambada de preguiçosos", foi o comentário implícito que acabei por ouvir nas entrelinhas.
Ocorre que no mesmo jornal vieram relatadas algumas infracções laborais, quer em termos de horários, quer em termos de dívidas à Segurança Social. É favor consultar, que não tive tempo para ir procurar o link.

Não somos (assim tão) preguiçosos, não estamos é tão desesperados assim, e não sei se é bom se é mau. Muitas das tais ofertas contemplam horários completamente absurdos com vencimentos correspondentes ainda mais absurdos. Ou então é o perfil do super-candidato: máximo de 25 anos, 24 de experiência comprovada na área. Passando o sarcasmo, outro factor para a proliferação destas ofertas por preencher: há quem as aproveite. A esses toca mesmo o desespero. Parece que 60% das famílias sobreendividades tem de 3 a 10 créditos (leiam-se prestações). Portanto, infelizmente, aceitam qualquer exploração que se lhes apresente, o que, num ciclo vicioso que não favorece nada o desenvolvimento nem do tecido empresarial nem do capital humano, apenas promove o semi-emprego, a sobrevivência e não a vivência e o envolvimento.

Agora vou pensar melhor sobre isto, claramente há variadíssimos factores sociais, culturais e educativos a concorrerem nesta questão. Agora não, em Setembro, depois das mais que merecidas férias. Porque apesar de tudo, do cansaço e da frustração, eu ainda consigo, nalguns dias, entrar no trabalho a assobiar pululante.

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domingo, maio 25, 2008
Escrito por Green Tea em domingo, maio 25, 2008

Tese. Trabalho. Folgas que são passadas em frente ao portátil que ainda não teve tempo de ir trocar a letra l, obrigando a um ctrl+c e ctrl+v completamente obsessivo. Poucas horas de sono. Mais trabalho, nova e revigorada equipa. Trabalho sabe bem. Tese... a que esteve em vias de ficar pelo caminho. A começar a andar, devagar, devagarinho, mas em movimento, já desistiu de ser tese de doutoramento, conforma-se em ser mestrado por enquanto, o doutoramento será alentejano. O cérebro terá fundido enquanto ainda conseguia ler... claramente não os artigos que preciso, mas sim o eterno regresso a Saramago, como reconforta ler aquele homem!!

Resumindo e concluindo, bem que gostaria de ter tempo para actualizar mais os blogs, o myspace, os fóruns, o last.fm, entre outras coisinhas boas que fazem perder tempo. Mas não. Então para pensar, nem tempo há para juntar raciocínios. Volto em breve, espero. A pensar, claro está, que ao blog até venho regularmente.


(Alguém conhece terapeutas capazes de dar aqui uma ajudinha à investigação? É que somos milhares, e eu ainda só enviei 500 mails ...)

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sábado, maio 10, 2008
Escrito por Green Tea em sábado, maio 10, 2008

... que se fale tanto do caso do Apito Final e nem uma palavra sobre a petição on-line que em menos de uma semana recolheu mais de 20 mil assinaturas?
Eu sei que somos um país em que uma bola vale muito mais do que um livro, mas não posso deixar de estar surpreendida...
Dito isto, não podia o Porto perder os 6 pontinhos só na próxima época?

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sábado, maio 03, 2008
Escrito por Green Tea em sábado, maio 03, 2008

 
quinta-feira, abril 24, 2008
Escrito por Green Tea em quinta-feira, abril 24, 2008

1

Sinto necessidade de um disclaimer. O que aqui relato sei que é lido por várias pessoas que, eventualmente, conhecem os protagonistas de alguns episódios. Foi o caso do último post. Por um lado, há aquela ideia de ter metido a pata na poça, por outro, a outra ideia, bastante mais forte e consistente, de que sempre escrevi, aqui e noutros lados, consoante senti vontade e necessidade. Apesar do que possa acarretar, será sempre esta última ideia a prevalecer, em abono da minha clareza, sanidade e liberdade. E em jeito de reply, no dia em que passarmos a ser apenas números e objectivos e estatísticas, deixaremos de poder apreciar o sorriso daqueles que tornam os nossos dias sempre um pouco mais leves. Got it? I know you did.

2

Da Esmeralda. Existe um trecho n'O Corvo, filme que vi inúmeras vezes, que me marcou desde a primeira vez. Ora, numa tradução puramente livre, diz "Mãe é a palavra Deus na boca das crianças". E mãe não é aquela que nos pariu, tal como pai não é aquele que contribuiu para a fecundação. Mãe e pai são aqueles que nos viram dar o primeiro passo e sorriram, que nos deram a primeira barbie ou o primeiro triciclo, que sabem o nosso historial, os nossos medos e fobias, qual o nosso prato preferido, como se chamavam os nossos professores, os nossos amigos da primária, etc. e tal. Pais são estes. Os que faltaram ao trabalho quando tivemos febre. Esses. Não necessariamente os outros.

É por isto que o caso que está a ser feito sobre a passagem da menina para o pai, o biológico, porque os outros são "apenas" pais afectivos, me faz muita confusão. Tem havido muita conversa, muito debate, muita avaliação médica e psiquiátrica, alguma psicológica, algumas ideias em termos de psicologia do desenvolvimento. E o supremo interesse da criança a ser medido, avaliado e escrutinado quando devia ser mais do que claro onde reside o bem-estar.
Mãe é a palavra Deus na boca das crianças. Mas a mãe pode passar a ser outra, o pai pode passar a ser outra, e portanto, não vale a pena... Quem é que explicou a esta criança que o pai e a mãe, a quem ela deu o nome e os chamou seus, agora são o senhor e a senhora Fulano de Tal? E que agora um outro pai é que é o pai?
90 dias ... 3 meses ... até se mudar, novamente, a equipa de peritos, se esta, à luz do que a teoria e a investigação tem demonstrado, se mostrar claramente desfavorável a uma decisão que pode ter tudo de legal, mas que falha em termos afectivos e de bom senso?

3

Ei-lo! Finalmente!!!



É só(!) a nova música do
Manel Cruz. Se o nome nada disser, é só(!) a voz por detrás dos Ornatos Violeta, Pluto e Supernada, além das colaborações com Manuel Paulo, Clã, Da Weasel e Superego. Além disso, é também um moço dotado para o desenho, tendo várias ilustrações reconhecidas. Está para sair o primeiro projecto a solo, de seu nome Foge Foge Bandido, que parece mesmo que anda a fugir, tendo em conta o tempo de espera.

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terça-feira, abril 08, 2008
Escrito por Green Tea em terça-feira, abril 08, 2008

Agora já tudo parece ter amainado relativamente ao caso no Carolina Michaëlis (a propósito, alguém sabe quem foi?). Para mim a questão não é tão pertinente por se dever a um jogo estúpido e desnecessário de poder, mas sim pelas implicações práticas que tem naqueles que serão o futuro deste país.
Estar a dar aulas ao primeiro ano da faculdade é extraordinário. Faz-me recordar o gosto que tenho pela transmissão de saber e de espírito crítico, de uma forma o menos maçuda e aborrecida possível, mas sempre nos limites do que é e do que não é. Por mais que gostemos de divagar, as bases do conhecimento não são nem podem ser alteradas. Ocorre que o primeiro ano da faculdade é, em certa medida, especial. São sobretudo gaiatos e gaiatas que acham que vão mudar o mundo sem ter de saber nada. Acabadinhos de sair do secundário, estão habituados a um modelo de interacção com os professores que, em boa verdade, me arrepia.

Na semana passada o grupo que teria de apresentar a aula resolveu, após umas boas semanas de aviso, chegar em cima da hora. O que é, claramente, inexperiência face "aquelas coisas que mesmo que sejam improváveis, vão acontecer apenas para demonstrar a lei de Murphy". Depois de umas tantas complicações, peripécias e amuos, lá lhes expliquei que não havendo projector, e tendo em conta que a turma é pequena o suficiente, mas sobretudo que não pretendo avaliar powerpoints (mas sim o conteúdo e a forma pessoal de como apresentam), o melhor mesmo seria apresentarem com o portátil virado para a turma. E lá nos sentámos em meia lua a ouvir e a ver... Um chorrilho de disparates que nem quem estava a apresentar estava muito certo do que queriam dizer. Mas mesmo não sabendo, decidiu pôr na apresentação. E quando questionados sobre o que queria dizer uma frase que tinham acabado de ler (sim!, ler, que esta gente ainda vai de folhas quadriculadas para a apresentação!), a resposta que obtive foi "A stôra está a envergonhar-nos". Bom, apeteceu-me responder que não, que para isso eles já estavam a fazer um excelente trabalho. Mas optei por explicar, pela enésima vez, que preferia um trabalho pensado a uma colagem de artigos...
De seguida fui ver a apresentação da outra turma prática, leccionada pela minha colega e regente da cadeira. Ora o grupo, sem projector, recusou-se a apresentar trabalho. Pior que isso, ainda refilou e amuou quando achámos que não era desculpa (blá, blá, esta dependência da tecnologia ainda atrofia as mentes destes pseudo-alunos). Mas não foi isso que me chocou. Efectivamente, nesta turma, ninguém se calou durante uma boa meia-hora. As raparigas que estavam sentadas atrás de mim, e que desconheciam quem eu era, falaram meia-hora sobre um vestido cor-de-rosa às riscas, eu ouvi!!!
Foi quando me passei. Ora estes monstrinhos não percebem que não são obrigados a estar nas aulas, e que estão lá porque decidiram que queria seguir este curso? E que para isso, têm de trabalhar? Em vez de colocarem já os cenários de quando estiverem a trabalhar com os pacientes? Mas terão a mínima noção do que os espera??? E quando vi um telemóvel sorrateiro, vociferei que aquilo não era o secundário onde se reproibiam os telemóveis. Ali, não havia telemóveis. Ponto final, não aberto a discussão.
Enfim, amanhã é dia de aulas outra vez. Saio da capital pelas 7h, saio de Évora às 12h45. E depois siga para o trabalho. Assim muito para o cansada. E a pensar que aqueles terroristas não sabem a sorte que têm.

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quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Escrito por Green Tea em quinta-feira, fevereiro 28, 2008

A primeira aula deste ano em Évora correu muitíssimo bem, tirando o facto de me ter levantado ontem às 5h da manhã, ter ido e voltado, ter entrado às 14h30 no trabalho, ter saído às 23h30, ter chegado a casa depois da meia-noite, e hoje ter acordado às 5h30. Portanto, estou morta de cansaço, e teoricamente hoje deveria escrever algo para o projecto do doutoramento. O uso do condicional não é aleatório.

Mas, e para que este post não fique excessivamente lamuriento, ora aqui está algo digno de interesse (do meu, pelo menos):

"No seguimento da iniciativa "Campanha para a Empregabilidade", que o SNP [Sindicato Nacional dos Psicólogos] organizou durante o ano passado, foram recolhidas mais de 11.000 assinaturas. 
O SNP irá promover, no próximo dia 3 de Março, das 10 às 13 horas, no Largo Camões, em Lisboa, uma concentração de profissionais da Psicologia, que irá culminar com a entrega de todas as assinaturas pelas 15 horas, junto do Primeiro-Ministro, na AR, através de uma audiência marcada com o SNP. 
Neste sentido, apelamos à mobilização máxima de todos os colegas para esta iniciativa! 
Porque o sentimento de insatisfação é geral, entre os que estão empregados e os que se encontram no desemprego ou em situação precária! 
Porque acreditamos possuir razões válidas, mais que suficientes para nos unirmos, protestarmos e lutarmos, pelos nossos direitos e dignidade da nossa profissão!" 

Não vou (estou a trabalhar), mas pergunto-me se a senhora que ontem me perguntou qual o melhor portátil da loja, porque "como psicóloga, preciso de escrever relatórios, mas claro que a menina não percebe disso", estará presente. E pergunto-me, sobretudo, qual a posição da APOP sobre isto...

PS: Claro que não disse à senhora que percebia do que quer que fosse. Encaminhei-a para o artigo de folheto ...

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segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Escrito por Green Tea em segunda-feira, fevereiro 18, 2008




... algo muito mais relevante.
Há muito tempo que não coincidia a maré alta com tamanha precipitação. Graças a uma bomba de água na zona do Dafundo que Algés não sofre deste mal há tempo suficiente para as pessoas se esquecerem de tomar medidas preventivas. Medidas preventivas que, tendo sido esquecidas, se tornam necessárias.
É por isso que desde madrugada que só se vê lama por aqui. E se ouvem sirenes de bombeiros, polícia municipal e, pasmo-me, helicópteros amarelos e cor-de-laranja, à la baywatch. Tudo numa grande azáfama. De louvar. E de dar graças pela sorte de uma resposta tão massiva e tão pronta. Já que, pelos visto, quem deveria zelar pela manutenção da rede de esgotos e afins só se lembra de Santa Bárbara nesta altura. Até quando??? 

De lamentar as vidas que se perderam, sem dúvida. Mas sobretudo a ver se, ao menos desta, se aprende qualquer coisa!

Quanto a mim, só acho extraordinariamente irónico a ocorrência precisamente depois do regresso da Maria Elisa aos écrans, para recordar as cheias de 1967. 
E fico a pensar como teria sido se tivesse de ter ido trabalhar hoje (!)

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quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Escrito por Green Tea em quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Poucos diálogos/ monólogos me frustram tanto como os que se resumem a um "Olá, tudo bem?", e seguir em frente.
Não é a parte do "olá" que me arrepia, mas sim aquela acutilância do "tudo bem?". Sinceramente, quantas pessoas nos perguntam isto, mas efectivamente não querem saber? Quantas vezes perguntamos "tudo bem?" e esperamos o consensual "sim, e contigo?" ou "sim, vai-se andando" ou demais variantes. Qualquer coisa que saia fora deste consenso tácito e quase protocolar, faz ruir todas as nossas regras de etiqueta hipócrita. 
E se não estiver "tudo bem"? E se estivermos num daqueles dias em que, honestamente, não nos recomendamos minimamente e apenas esperamos o momento de fecharmos a luz, adormecermos e deixarmos tudo ir embora? Quanto muito um "vai-se andando" seguido de um "isso é que é preciso" e tudo regressa à normalidade.
Nestes últimos dias, quando me cumprimentam "Olá Ana, tudo bem?", só me apetece ... nem sei, de verdade, o que me apetece. Talvez porque se responder "Sim, tudo bem, obrigada, e contigo?" vou estar a mentir da forma mais descarada e não consigo dar a mim mesma uma razão suficientemente boa para tal.
Ficamo-nos pelo "Olá" nos próximos dias, sim?

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sábado, janeiro 26, 2008
Escrito por Green Tea em sábado, janeiro 26, 2008

É o título do artigo de opinião que mais me deu prazer ler e reler nos últimos tempos. É de Desidério Murcho e sim, eu sei que o nome não abona nada a favor do senhor. Mas fiquei a saber que está ligado à Filosofia, nomeadamente às áreas da Lógica e da Metafísica, pelo que só podia gostar de o ler. Quanto ao artigo, encontrei-o aqui. A ler!

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sábado, janeiro 05, 2008
Escrito por Green Tea em sábado, janeiro 05, 2008

Ora bem! E já há cinco dias que anda aí a nova lei do tabaco! Não tem sido nada complicado para mim, diga-se em abono da verdade. Só me irrita quando as pessoas me vêm com aquela lengalenga "Ah agora fumam aqui ao friozinho!!". Nessas alturas, aponto para um semáforo e digo: "Olha um carro, muito bem, a passar com o verde, e outro carro a passar com o verde, aquele também, aquele está a travar, ah pois, amarelo, e olhem, aquele parou no vermelho".
É que existe uma lei, é para ser cumprida, está a ser cumprida, e acaba-se aqui a conversa. Noticiam-se os incumprimentos à lei do tabaco, mas quantas infracções aos códigos penais e civis não se cometem todos os dias e não são notícia? Muito gostamos nós de empolar coisas. E parece que nos divertimos sempre na mesma conversa.
Já agora, como é possível ninguém ter comentado o vencedor do Dakar (Bin Laden, obviamente)? Ou dos aumentos de tudo o resto além do tabaco? Ou das eleições primárias nos EUA?
Ou de qualquer notícia, porque parece que andamos enredados em não-notícias. Eis uma bela manobra de entretenimento: enquanto se esgatanham fumadores, não se pensa na realidade que continua no dia-a-dia.
Como disse uma vez, prefiro ser boa pessoa e fumadora a nunca ter pegado num cigarro e ser uma grande cabra (não foi exactamente esta a expressão, mas enfim
).

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